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Full text of "Nota sobre o impacto da expansão da educação sobre a raça na década de 90"

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Nota sobre o impacto da expansão da educação sobre a raça na década de 90 

Simon Schwartzman 
(fevereiro de 2002) 



Uma questão que tem sido discutida é se, com a expansão da educação havida no Brasil 
nos últimos anos, a desigualdade entre os grupos raciais, definidos pelas categorias do 
IBGE, tem se mantido ou diminuído. A comparação dos dados das PNADs entre 1992 e 
1999 mostra mudanças significativas. 



% de pretos e pardos por nível educacional, 1992- 

1999 




D 1992 
■ 1999 



Gráfico 1 



O Gráfico 1 dá a percentagem de pretos e pardos em cada nível educacional, para a 
população de 15 anos e mais - um ano ou menos de educação, 4 anos de educação (o 
antigo primário), 8 anos (o atual básico), 1 1 anos (secundário) e 15 anos e mais (nível 
superior). Os dados mostram que a proporção de pretos e pardos melhora a partir dos 
níveis educacionais mais altos, e se reduz nos níveis inferiores - ou seja, o sistema está 
ficando mais igualitário. Não são diferenças grandes, mas elas apontam uma clara 
melhoria no padrão de diferença racial por educação no país. Assim, não é verdade que 
não tem havido mudanças. 

A tabela 1 dá os aumentos do número de pessoas matriculadas em cada nível 
educacional, entre 1992 e 1999. São dados para todas as idades. 



Tabela 1 



Aumento percentual da mat 


rícula por nivel educacinal 


e raça, 1992-1999 
% de aumento 




- 






número 




Indígena 


branca 


Preta 


Oriental 


Parda 


Total 




pre escolar 


549.8% 


72.7% 


63.0% 


49.2% 


31.4% 


51 .9% 


218,859 


alfabetização de adultos 


354.1% 


183.3% 


156.0% 




193.8% 


187.1% 


3,650,333 


regular de prim grau 


112.8% 


5.5% 


22.0% 


7.8% 


23.2% 


14.1% 


4,363,618 


supletivo de prim grau 




94.9% 


225.2% 


-42.5% 


123.9% 


1 1 1 .5% 


399,249 


regular de segundo grau 


581.6% 


73.3% 


135.3% 


13.7% 


128.5% 


91.7% 


130,744 


supletivo de segundo grau 




151.5% 


184.9% 


764.6% 


265.3% 


185.4% 


27,867,633 


pre vestibular 




88.4% 


154.2% 


266.7% 


148.1% 


105.2% 


1,433,206 


superior 


308.8% 


73.7% 


73.7% 


210.0% 


80.5% 


76.2% 


185,728 


mestrado ou doutorado 




191.1% 


-51.2% 


51 .3% 


159.1% 


173.0% 


74,409 



Os avanços mais significativos foram a entrada de pretos e pardos na educação 
regular de 2 grau - aumentos da ordem de 130%, comparados com o total de 91% para a 
população como um todo. Proporcionalmente, os aumentos no ensino regular de primeiro 
grau são ainda maiores. 

Por outro lado, a proporção de brancos aumenta tanto na educação pré-escolar 
quanto no nível da pós -graduação. Será que estaria havendo uma reversão do padrão de 
melhoria, com maior exclusão tanto na entrada quanto no nível mais alto da educação do 
país? 

Em relação à educação pré-escolar, existe uma explicação simples: é que, na 
década de 90, este setor se expandiu sobretudo nos estados do Sul (Paraná, Santa Catarina 
e Rio Grande do Sul) aonde a proporção de população branca é muito maior. A 
correlação entre proporção de brancos no estado e expansão da matrícula em pré-escola 
no período é de 0.62 (Tabela 2). 

Não existe a mesma correlação, no entanto, para o que ocorre na pós-graduação. 
O aumento da seletividade racial neste nível, cujo tamanho absoluto é pequeno, pode 
estar significando um movimento efetivo dos profissionais de origem socioeconómica 
mais alta de se diferenciar da massa crescente de formados em nível superior, e isto 
estaria se refletindo na composição racial deste grupo. É uma tendência que precisaria ser 
mais bem estudada, mas que dificilmente seria revertida, simplesmente, com uma política 
de quotas raciais para mestrados e doutorados. 



Tabela 2 



Variação da Matrícula nos diversos níveis de ensino, 1992-1999 




alfabetização 


pre 


regular de 


supletivo de 


regular de 


supletivo de 


pre 




mestrado ou 






deadult 


escolar 


prím grau 


prim grau 


segu grau 


segu grau 


vestibular 


superior 


doutorado 


Total 


11 Rondônia 


32.5% 


62.6% 


0.1% 


97.0% 


101.4% 


233.5% 


-47.0% 


75.4% 




21.5% 


12 Acre 




23.0% 


10.2% 


-2.3% 


215.2% 


-100.0% 


780.8% 


-7.4% 




24.6% 


13 Amazonas 


-32.0% 


39.1% 


17.7% 


220.8% 


122.3% 


178.0% 


42.4% 


65.7% 




32.8% 


14 Roraima 


40.8% 


92.9% 


27.3% 


-53.0% 


158.1% 


64.7% 


25.2% 


87.7% 




48.7% 


15 Pará 


101.2% 


68.4% 


24.2% 


36.3% 


115.1% 


98.0% 


163.1% 


33.9% 


203.2% 


40.1% 


16 Amapá 




118.6% 


29.1% 


264.1% 


227.9% 


336.9% 




184.1% 




69.7% 


17 Tocantins 


499.2% 


7.0% 


33.0% 


238.2% 


308.6% 


-23.8% 




1625.2% 




52.4% 


21 Maraniiao 


167.6% 


29.8% 


47.4% 


176.8% 


102.9% 


407.3% 


69.2% 


328.4% 




50.1% 


22 Piaui 




39.6% 


18.5% 


44.1% 


46.7% 


385.7% 


96.6% 


21.4% 


-100.0% 


27.8% 


23 Ceara 


531.7% 


17.8% 


46.4% 


453.5% 


157.3% 


478.9% 


147.6% 


141.7% 


868.8% 


52.1% 


24 Rio Grande Norte 


888.0% 


110.9% 


25.0% 


59.5% 


93.4% 


251.4% 


43.5% 


45.9% 




44.4% 


25 Paraíba 


61.3% 


3.2% 


22.4% 


325.5% 


70.0% 


53.6% 


136.3% 


34.6% 


183.7% 


25.3% 


26 Pernambuco 


474.0% 


61.4% 


17.6% 


271.1% 


45.6% 


363.3% 


108.3% 


20.7% 


121.3% 


28.2% 


27 Aiagoas 


360.2% 


48.2% 


24.9% 


186.2% 


52.8% 




206.8% 


187.6% 


206.7% 


35.5% 


28 Sergipe 


174.8% 


74.1% 


27.7% 


281.7% 


65.6% 


56.9% 


87.3% 


125.0% 




43.3% 


29 Bahia 


157.3% 


-0.6% 


35.0% 


518.5% 


93.2% 


329.9% 


105.9% 


113.0% 


190.9% 


35.4% 


31 Minas Gerais 


180.9% 


40.8% 


10.8% 


233.3% 


140.8% 


179.2% 


209.6% 


47.2% 


49.3% 


29.8% 


32 Espirito Santo 


352.6% 


78.5% 


9.1% 


22.1% 


98.7% 


528.4% 


124.2% 


205.0% 


201 .8% 


31.7% 


33 Rio de Janeiro 


160.6% 


62.6% 


0.2% 


141.2% 


59.4% 


148.8% 


80.0% 


45.0% 


92.9% 


19.7% 


35 SãoPauio 


57.3% 


78.4% 


0.4% 


47.0% 


81.0% 


119.5% 


84.4% 


75.5% 


148.5% 


23.7% 


41 Paraná 


216.0% 


132.1% 


2.8% 


215.9% 


120.9% 


353.6% 


70.3% 


114.4% 


159.5% 


33.8% 


42 Santa Catarina 


1028.2% 


172.3% 


15.7% 


776.8% 


82.2% 


600.7% 


127.6% 


110.6% 


1435.9% 


45.2% 


43 Rio Grande Sul 


235.0% 


142.7% 


6.5% 


80.8% 


72.4% 


104.0% 


88.1% 


74.6% 


358.0% 


29.5% 


50 Mato grosso Sul 


1.5% 


115.7% 


8.7% 


115.7% 


78.2% 


115.8% 


17.2% 


142.5% 


508.5% 


28.6% 


51 Mato Grosso 


209.9% 


58.1% 


5.6% 


241.0% 


92.3% 


688.0% 


244.4% 


73.8% 


244.2% 


26.4% 


52 Goiás 


394.7% 


53.8% 


20.9% 


57.4% 


141.8% 


694.5% 


117.9% 


183.5% 


109.7% 


41.4% 


53 Distrito Federal 


60.6% 


72.3% 


6.1% 


4.2% 


89.1% 


84.7% 


10.3% 


56.0% 


258.3% 


27.2% 




187.1% 


52.0% 


14.2% 


111.5% 


91.7% 


185.4% 


105.2% 


76.2% 


173.0% 


31.4%